sábado, 23 de maio de 2020

Brigadeiro que inspirou doce morreu solteiro aos 84 anos



Eleição de 2 de dezembro de 1945: as mulheres vão votar pela primeira vez para presidente no Brasil. E um candidato as fazem suspirar: Eduardo Gomes.

— Ele (Eduardo Gomes) tinha um fã clube enorme de mulheres pelo fato de ser solteirão, ter boa imagem — diz o historiador Lucas Striguetti.

Um grupo de admiradoras cria um doce e o batiza de brigadeiro para vender e reforçar o caixa da campanha. O doce se tornará um dos mais conhecidos da culinária brasileira e romperá fronteiras. Mas o resultado da eleição será indigesto. Este é o doce sabor da derrota de Eduardo Gomes, um dos lendários combatentes dos 18 do Forte.

Imagem icônica da caminhada dos "18 do Forte"
(foto: Zenóbio Couto/ Correio da Manhã)
— Pensa assim: ‘18 marchando contra um governo, é palhaçada.’ Foi sério. Morreu gente — observa o historiador, Adler Homero.

— Ele praticamente não comentava sobre a Revolta do Forte de Copacabana. Ele morreu solteiro em 1981 — completa o historiador Milton Teixeira.

— Faz aquele Brigadeiro da panela e vai comendo na colher. Que delícia. Quem é que não gosta de brigadeiro, gente? — pergunta a atriz Desirée Oliveira, a mulata do Zorra Total.

Nesta história, veja a receita mágica de um doce, inspirada no brigadeiro Eduardo Gomes, que se espalhou pelo mundo. E mais: o que historiadores falam sobre este homem tão reservado, respeitado e que guardava um grande segredo...

PASSEIO NO PARQUE


No Aterro do Flamengo, o professor João Baptista Ferreira de Mello, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, guia um grupo de interessados em História. É mais um passeio do projeto Roteiros Geográficos, que oferece visitas guiadas, gratuitas, a regiões históricas na cidade.

— Ele perdeu a eleição, Eduardo Gomes, para o Dutra, em 1945. Eduardo Gomes era um homem
João Baptista: aula na rua sobre a origem do doce brigadeiro
muito bonito. Mas na coisa lá dos 18 do Forte, em Copacabana, ele perdeu, né? Levou um tiro e perdeu... — diz o professor, do Departamento de Geografia.

O professor, bem-humorado, tem a atenção de todos, com um megafone na mão.

— As mulheres tinham muita admiração por ele (Eduardo Gomes) porque ele era um homem muito bonito e, como ele era brigadeiro, elas faziam o doce, agora famoso, em homenagem ao brigadeiro. Elas não só fizeram campanha como nomearam o doce de brigadeiro.

Apontando para o Aterro do Flamengo, bem em frente ao antigo prédio da TV Manchete, na Glória, ele explica que Eduardo Gomes é homenageado naquele bairro.

— Oficialmente este parque tem o seu nome: Parque Brigadeiro Eduardo Gomes. Quando comer brigadeiro lembre-se do Eduardo Gomes —  diz o professor, que percebe um riso na parte de trás do grupo —. O outro está rindo. Você não vai comer o Eduardo Gomes, você vai comer o brigadeiro. O Outro está se escangalhando de rir.

O Forte de Copacabana em foto aérea de 1922
(Foto: Acervo DPHDM)

RIO DE JANEIRO, 1922


— O ex-presidente Hermes da Fonseca, o general Hermes da Fonseca, o filho dele era o comandante do Forte (Euclides Hermes da Fonseca). E circulou que haveriam cartas desabonadoras do presidente da República contra o general Hermes. Cartas falsas. ‘Fake news’ em 1922. A imprensa levantou esta questão que estavam atacando o Hermes da Fonseca, que era uma figura respeitável. Tinha sido presidente da República — diz o historiador Adler Homero, o maior especialista em fortificações históricas no Brasil.

O presidente ainda é Epitácio Pessoa.  Arthur Bernardes havia vencido eleição conturbada e assumiria apenas em novembro de 1922.

— O Hermes da Fonseca se rebelou contra essa questão. Ele era presidente do Clube Militar, ele foi preso. Contra essa prisão e contra essas cartas desabonadoras houve uma série de pequenas revoltas, inclusive da guarnição do Forte de Copacabana. Os outros pontos foram facilmente reprimidos. Só ficou o forte — observa Adler.

É neste momento que um jovem idealista se apresenta no forte para se unir aos revoltosos. Ele vai entrar para a História do Brasil. Seu nome, Eduardo Gomes, nascido em 20 de setembro de 1896.
Ele vem de uma família de posses que empobrece.

Os pais de Eduardo: Luís e Jenny Gomes
— A mãe dele, Jenny Gomes, de uma família muito importante. Ela era filha de um visconde. O pai dele, Luís Gomes, era da Marinha. Ele vai sair da Marinha. Ele tinha um plano de construir uma ferrovia. Então, ele vai fazer muito investimento. Ele vai pegar todo o dinheiro que ele tinha guardado — conta o historiador Lucas Striguetti, autor do livro "O pensamento político do Brigadeiro Eduardo Gomes".

Mas, o negócio fracassa. Em dificuldades financeiras, Luís, a mulher e os filhos se mudam para Petrópolis. Ele consegue emprego no Jornal do Brasil.

— Eduardo Gomes gostava muito de ler, muito quieto, bom aluno, tanto é que foi apelidado de O Matemático — diz Striguetti.
Eduardo Gomes, aspirante

Aos 20 anos, Gomes ingressa na Escola Militar de Realengo. Considerado reservado pelos colegas,
recebe o apelido de ‘Frei Eduardo’. Já é tenente, quando toma conhecimento da rebelião no Forte de Copacabana, e decide se unir aos revoltosos.

Neste momento, o forte é cercado por forças leais ao presidente Epitácio Pessoa.

— O Brasil tinha um encouraçado, o São Paulo, armado com canhões de 305 milímetros. Disparava uma bala deste diâmetro, desta altura, de 390 quilos. Ele foi para Copacabana, ancorou e disparou contra o forte. Várias vezes. Só que o forte era muito bem feito e não chegou a fazer efeito — explica Adler Homero.

Os rebeldes respondem com mais disparos.

— O Forte de Copacabana chegou a disparar contra a cidade. Fez vários disparos. Matou civis. Eles atiraram no Forte do Leme e mataram quatro soldados que estavam fazendo a refeição — acentua Adler.


Correio da Manhã anuncia reação do governo
O Rio já é uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, conforme mostra o Censo de 1920. O cenário do conflito, Copacabana, porém, só possui 22 mil moradores. Os revoltosos buscam apoio.

Tenente Newton Prado observa
a movimentação (Foto: Careta)
— Eles tinham a esperança que o movimento fosse apoiado por várias outras unidades no Rio de Janeiro, que derrubaria o governo. Seria um golpe militar. Não deu certo — comenta Adler.

Curiosos se aproximam do forte para assistir ao desfecho do impasse. O tenente Newton Prado, com seu fuzil, observa o cenário. As forças federais, leais ao presidente Epitácio Pessoa, se posicionam para o embate.

— Muita gente foi para o forte apoiar o movimento. Chegou a ter 300 pessoas dentro do forte. Só que viram que não ia dar certo, então, começou a haver uma debandada geral. Ficaram muito poucos dentro do forte — acrescenta Adler.

Cercados, os revoltosos precisam tomar uma decisão.

— O Siqueira Campos queria tacar fogo no forte, explodir o forte, enfim, matar todo mundo, fazer um suicídio coletivo — conta Lucas Striguetti.

Mas, os revoltosos decidem seguir a proposta apresentada por Eduardo Gomes.

— Então, eles resolveram fazer uma demonstração. Um ato de resistência. E saíram… saíram uns 20 e poucos marchando contra o governo pela Praia de Copacabana — observa Adler Homero.


Os revoltosos caminham e recebem apoio de populares

MARCHA PARA A MORTE


O relógio marca duas horas da tarde.

— A marcha começou com mais de 20. Se não me engano foram 29, os pedaços da bandeira que foram rasgados e distribuídos para cada um deles. Só que ao longo do caminho, eles foram do Posto 6 ao Posto 4, alguns que sentiram que a coisa não ia dar certo foram sutilmente saindo pelo escanteio, assim. E um se juntou ao movimento, um civil, Francisco Otaviano. Ele aparece bem na fotografia que aparecem os 18 marchando pelo forte — explica Adler.

Entrada do Forte de Copacabana: daqui saíram os revoltosos

ÉLCIO BRAGA: Entramos aqui na Rua Francisco Otaviano. Logo ali na frente, no encontro com a Avenida Atlântica, à direita, fica o Forte de Copacabana. É daqui que saem os revoltosos, com suas armas, em direção ao Leme.
Fico imaginando o que eles pensavam durante este trajeto até a Rua Barroso, hoje Rua Siqueira Campos. Eduardo Gomes provavelmente pensava na mãe. Ele era muito apegado a mãe,  a família, religioso...


— Só que chega determinado momento, onde tem inclusive a estátua na Siqueira Campos, ali dos 18 do Forte, e houve um massacre — conta Adler.

De acordo com a Gazeta de Notícias, os revoltosos se entrincheiraram nas areias da praia. Os confrontos finais teriam sido de faca.

— O governo chegou a mobilizar 5 mil soldados pra reprimir o movimento. Pouco mais de dez que restavam do movimento contra centenas de soldados, a coisa acabou rapidamente. Não morreram todos. Inclusive, alguns saíram feridos — completa Adler.

Fim dos combates. Feridos e mortos na praia de Copacabana
Segundo o jornal O Paiz, o conflito teria durado uma hora e 20 minutos. Nesta imagem, vemos o resgate de mortos e feridos.

No dia seguinte, a Gazeta estima em 20 o total de mortos. Entre os revoltosos teriam sobrevivido apenas Siqueira Campos, Eduardo Gomes e mais dois ou três praças.

— O Eduardo Gomes recebeu um ferimento na virilha. Os que sobreviveram foram presos, mandados para prisão na Ilha da Trindade — acrescenta Adler Homero.

O presidente da República visita os feridos no hospital.

— Epitácio Pessoa chega para o Eduardo Gomes, ferido, que estava na maca, e perguntou porque ele participou de um movimento desse. Falou que conhecia o pai dele, o Luís Gomes, e o Eduardo Gomes fala que não se arrepende de nada, que ele fez aquilo que ele achava que era certo — diz Lucas Striguetti.

Epitácio perguntou a Gomes o motivo da revolta
O ferimento de Eduardo Gomes é grave.

— Ele tomou um tiro na perna esquerda. Sofreu uma fratura no fêmur. E ele só foi melhorar da perna esquerda depois que ficou preso numa ilha, Ilha da Trindade — assinala Striguetti.

Mas outra versão se espalha.

— Mas na época, sempre correu esse boato, que ele teria ficado incapacitado e nunca teria tido filhos por causa disso. Tanto que corria o apelido que ele era o belo Antônio. Ele era bonito, mas não era de nada — observa Adler Homero.

No livro ‘A Trajetória de um Herói’, o escritor Cosme Degenar Drumond, já falecido, cita apenas um namoro mais sério do brigadeiro. A jovem o teria visitado, inclusive, no Forte de Copacabana, antes do combate. Depois, segundo o biógrafo, Eduardo teria apenas breves namoros.

— Na adolescência, ele até teve uma paixão por uma moça. Mas o fato é que ele sempre dizia que a vida dele, por ele participar de revoluções, de estar envolvido em movimentos políticos importantes, ele achava que não deveria se relacionar com ninguém — destaca Striguetti.

Para outros historiadores, o tiro teria destruído qualquer sonho do jovem oficial viver um grande amor.

Farda de Gomes na revolta (Foto: Musal)
— Você vai lá no Museu Aeroespacial, a farda está lá. Tiro de fuzil, fuzil Mauser. Um balaço, deste tamanho, destruiu… e tem mais, dependendo da distância que foi acertada, a bala entra girando dentro de você. Então, já viu, vai estraçalhando tudo — alega o historiador Milton Teixeira.

Após se recuperar e passar um tempo na prisão, Eduardo Gomes volta a conspirar.

Ele participa da Rebelião Militar de 1924, em São Paulo. É preso quando tenta se integrar à Coluna Prestes. Libertado em 1926, volta a ser preso em 1929.

A sorte de Eduardo Gomes começa a mudar em 1930. Ele participa das ações que derrubam o presidente Washington Luís. Como um dos sobreviventes da Revolta dos 18 do Forte, passa a ser valorizado na carreira militar.

— Esse movimento se tornou uma bandeira do movimento tenentista contra a situação da República Velha. Então, quando houve a Revolução de 1930, se pegou esse símbolo que era contra a situação da oligarquia e contra o governo corrupto que havia e eles viraram um símbolo cultuado pelo governo Vargas — avalia Adler.

Gomes participa do laçamento do Correio Aéreo Militar

Gomes recebe seguidas promoções. Ajuda a criar o Correio Aéreo Militar, mais tarde Correio Aéreo Nacional.

Em 1935, Eduardo Gomes atua contra o levante da Intentona Comunista. Mas se afasta do governo após a decretação do Estado Novo em 1937, um golpe de Getúlio para permanecer no poder. Em 1941, é promovido a brigadeiro.

ELEIÇÕES DE 1945


Com a queda do governo Vargas, em 1945, a recém-criada União Democrática Nacional escolhe Eduardo Gomes como candidato a presidente.

— Ele (Eduardo Gomes) simbolizava aquela imagem de herói dos 18 do forte de Copacabana — conta Lucas Striguetti.

Charmoso, Gomes logo conquista a atenção do eleitorado feminino.

— Em 1945, as mulheres pela primeira vez votaram para presidente — observa Striguetti.

Frame de filme do Tribunal Eleitoral em 1945
Neste vídeo, vemos uma simulação do Tribunal Eleitoral para orientar o voto, em 1945.

Só que há um problema: a campanha do candidato da UDN patina sem recursos. Mas, aí, surge um doce mágico.

— Na época havia uma mulher chamada Heloisa Nabuco e ela fazia doces maravilhosos e daí a UDN, para juntar fundos, fazia chá, café da tarde, enfim. Foi nesse momento que essa Heloisa apareceu com o doce de leite condensado e chocolate para homenagear o Eduardo Gomes. Colocou o nome de brigadeiro já que ele era brigadeiro da Aeronáutica. E esse docinho pegou — explica Lucas Striguetti.

Versão mais popular é de que docinho foi criado no Rio
Há versões menos conhecidas que indicam que a criação do doce teria ocorrido em São Paulo, em Minas Gerais ou até no Rio Grande do Sul, onde seria conhecido como ‘negrinho’.
O fato é que o doce, como ‘brigadeiro’, ultrapassou as fronteiras. Há quem o chame até de trufa brasileira.
As mulheres ajudavam a propagar, ainda, o slogan: “Vote no Brigadeiro, que ele é bonito e é solteiro!”

Avenida Atlântica, o local do embate 98 anos depois
ÉLCIO BRAGA: Exemplo da acirrada disputa entre Dutra e Eduardo Gomes. A cena se passa em um almoço na minha família, em uma área rural em Queimados, no Rio. Durante a eleição de 1945, uma prima do meu pai, uma criança, então, de seis anos, diz que quer um brigadeiro. O tio dela lhe dá um tapa na cara e deixa todos os presentes constrangidos. Ele era eleitor do general Dutra.


Um episódio prejudica a campanha do brigadeiro.

— O Eduardo Gomes estava no Theatro Municipal. Estava realizando um discurso e falou que não precisava do voto dessa malta de desocupados. Só que ele estava se referindo a outra coisa. Então, você tinha na época o Hugo Borghi. Ele estava defendendo o Dutra, né? Ele trabalhava no rádio. Ele viu que o Eduardo Gomes citou o termo malta. Então, ele foi procurar no dicionário o significado. Um deles, relacionado a trabalhadores, que levavam a sua marmita. Ah, ele teve uma ideia e resolveu colocar na mídia que o Eduardo Gomes quis dizer que não necessitava do voto dos marmiteiros, dos mais pobres — conta Lucas Striguetti.

E mais boatos são disparados. Os adversários afirmam que o brigadeiro, se eleito, proibirá os negros de andar de bonde, usar gravata ou ir a praia e ao cinema.

— O discurso dele era muito extenso, termos difíceis — observa Striguetti.

Mas o doce não muda os rumos da eleição.

— Foi uma disputa muito cerrada, mas o Dutra era um candidato que era apoiado pelo Vargas que tinha um prestígio muito grande. Então, as chances do Eduardo Gomes ganhar eram pequenas — assinala Adler Homero.

RIO DE JANEIRO, 1950


Mas o Brigadeiro não desiste. Ele volta a se candidatar a presidente em 1950, agora contra Getúlio Vargas.

— Eu penso que em 45 e principalmente 50 o Eduardo Gomes defendia uma terceira via para o nosso país. Ele pensava em uma reforma para o capitalismo. E em muitos momentos ele vai colocar a sua posição liberal. Então, por exemplo, ele achava que o ensino teria de ser gratuito para todo mundo. Não deveria existir escolas particulares. Mas ele defendia também o sistema meritocrático. Até o poeta Carlos Drummond de Andrade vai fazer um conjunto de três poemas falando sobre Eduardo Gomes. Ele tinha um plano muito revolucionário pensando na educação, pensando nos mais humildes e mais pobres, para a época — diz Striguetti.

Neste cartaz da campanha, aparece com sua mãe, dona Jenny, com quem vivia. Mas perde novamente.
Após a morte de Vargas, Gomes vira ministro

— Eu penso que em 45 e, principalmente, 50, o Eduardo Gomes defendia uma terceira via para o nosso país. Ele pensava numa reforma para o capitalismo.Em muitos momentos, ele vai colocar a sua posição liberal. Então, por exemplo, ele achava que o ensino deveria ser gratuito para todo mundo. Não deveria existir escolas particulares. Mas ele defendia também o sistema meritocrático. Ele tinha assim um plano muito revolucionário, pensando na educação, nos mais humildes, nos mais pobres, naquela época — observa Lucas Striguetti.

Em 1954, o brigadeiro se envolve na campanha pelo afastamento de Getúlio Vargas. A crise culmina com o suicídio do presidente.

— O Café Filho, vice do Getúlio, toma o poder e chama o Eduardo Gomes para ser o ministro da Aeronáutica — afirma Striguetti.

Dez anos depois, o brigadeiro participa do Golpe de 1964, que pôs fim ao governo de João Goulart. Torna-se novamente ministro da Aeronáutica, em 1965, na presidência de Castelo Branco.

— A princípio, ele apoia o golpe civil-militar achando que ia ser bom para o Brasil, mas vendo que estava demorando muito para a volta de um civil ao poder, ele acaba sendo contra — assinala Lucas Striguetti.

Mesmo fora do Governo Militar, no período mais linha dura, intercede em favor do capitão Sérgio Macaco, que havia denunciado o chefe de gabinete do Ministério da Aeronáutica de planejar explodir o Gasômetro no Rio.

A intenção seria pôr a culpa em inimigos do regime e prender oposicionistas. Gomes questiona ações que não correspondem aos valores cristãos. Nesta época, já é visto como uma lenda viva pelos militares.

Gomes se torna uma lenda viva. É apelidado de 'O Velho'
— Ele era muito respeitado. O pessoal falava ‘lá vem o Eduardo Gomes, lá vem...’ Ele tinha o apelido de ‘O Velho’ neste período — assinala Striguetti.

O brigadeiro vive com simplicidade.

— Quando ele sai da Aeronáutica, ele se aposenta, passou a ir com mais frequência às missas aos domingos. Ele morava na Praia do Flamengo. Gostava de fazer caminhadas. Ele gostava muito, também, de usar um terno escuro. Para você ter uma ideia, metade do salário dele, ele doava para os pobres de Petrópolis e missões religiosas — diz Striguetti.

O seu prazer é ir ao Maracanã, misturado ao grande público. Gosta também de ir ao cinema. Era fã de Greta Garbo.

Apesar de ter alcançado o posto de marechal-do-ar em 22 de setembro de 1960, é como brigadeiro que gosta de ser chamado.

É com esta patente que ele, nas eleições de 1945, havia ficado na memória do povo brasileiro e também no paladar.

Nos livros de História, é sempre lembrado por sua participação no movimento ‘Os 18 do Forte’. Mas, para o brigadeiro, este parece ser um assunto proibido.

— Ele praticamente não comentava sobre a Revolta do Forte de Copacabana. Foi o último sobrevivente. Passou o aniversário da Revolta do Forte de Copacabana... queriam entrevistá-lo… Mas na época da Ditadura Militar, você falava se queria e bem entendia, ainda mais militar. E ele não dava entrevista. Não concedia entrevista. Eu só conheço um depoimento dele sobre o Forte de Copacabana, que foi para determinar o local que deveria ser o monumento aos 18 do Forte, na Praia de Copacabana e ele escreveu um documento, escrevendo que era ali que tinha ocorrido o tiroteio — pondera o historiador Milton Teixeira.

Uma outra informação preciosa, revelada pelo brigadeiro, já no fim da vida, envolve o número de revoltosos que teriam participado do combate final: segundo ele, 13 homens e não 18.

— Pessoas que o conheceram diziam que ele ia nas solenidades do 5 de julho e não dava depoimento nenhum. Isso eu conversei com muita gente que esteve com ele… assim, e claro, se eu fosse traumatizado como ele, eu também não daria... — acrescenta Teixeira.

A última foto do brigadeiro. No dia seguinte, estaria morto (foto: FAB)

Esta foto foi tirada em 12 de junho de 1981. Bem fragilizado, Eduardo Gomes participa das comemorações dos 50 anos do Correio Aéreo Nacional, no Rio de Janeiro. É a última aparição pública. No dia seguinte, com problemas cardíacos, estaria morto.

Três anos após a morte, em 1984, Eduardo Gomes é declarado Patrono da Força Aérea Brasileira. Hoje seu nome está no Aeroporto Internacional de Manaus. E também no parque que ocupa parte do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, virou importante avenida. O brigadeiro é homenageado ainda em muitos outros logradouros pelo país.

Mas a homenagem que o torna tão próximo de todos nós é mesmo o doce da campanha malsucedida de 1945.

O brigadeiro ganhou lojas no exterior

sábado, 9 de maio de 2020

Enfim, sabemos para quem foi feita 'Your song', maior sucesso de Elton John



Por que raios Bernie Taupin compôs 'Your song', em parceria com Elton John? Essa música foi o primeiro grande sucesso de Elton John. A canção, embora simples, se tornou o primeiro e o maior sucesso na carreira de Elton John. Sempre tive curiosidade de saber como foi composta. Por isso, resolvi pesquisar tudo sobre esta canção. Procurei críticos de música, jornalistas e até historiadores para descobrir a resposta. O resultado é este vídeo que você está vendo incluído aqui nesta postagem.

 Logo que coloquei o vídeo, por coincidência, lançaram logo depois o filme 'Rocket-man', que conta,  de uma forma livre, um pouco sobre a trajetória de Elton John. No princípio do filme, revela-se como 'Your song' surgiu.

Bernie Taupin era um rapazola quando escreveu a bela poesia, durante um café da manhã, na casa dos pais de Elton John, onde estava hospedado. Só precisou de 20 minutos para compô-la em um pedaço de papel sujo de café. Elton John recebeu a letra e, em torno de outros 20 minutos, compôs a melodia em seu piano branco. Assim nasceu a obra-prima. Nesse ponto, todo mundo concorda.

O filme, porém, deixa a entender que a música corresponderia a um amor platônico de Elton John pelo amigo, diferentemente do vídeo que elaborei. Felizmente, em uma reportagem publicada posteriormente ao lançamento do longa, Bernie Taupin, enfim, consolida a versão que coloquei no vídeo.

O compositor garante que a letra não foi feita para ninguém em especial, nem mesmo destinada a Elton John. Muita gente suspeitava que seria para alguma namorada de Taupin. Mas ele nega. Já coroa, por que mentiria? Acho que 'Your song' não foi feita para ninguém em especial. Por isso, pode ser de todo mundo.

Bernie Taupin compartilha a verdadeira inspiração por trás de "Your Song", de Elton John

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