quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O vampiro de Čelákovice: uma história arqueológica real

A descoberta do esqueleto de um suposto vampiro, enterrado de uma forma que

não pudesse voltar das trevas, segundo a crença, fez uma pequena cidade na República Tcheca ser falada no mundo inteiro.  

Um brasileiro é chamado para desvendar este mistério de até 900 anos. O 3D designer Cícero Moraes vai reconstituir, com base no crânio desse esqueleto, a verdadeira face da criatura. O resultado será surpreendente. 

Esta é uma História real de Vampiro. Explicando melhor: a história é real, o vampiro não. Você vai descobrir agora por quê.  

O vampiro de Čelákovice 

Estamos chegando à Estação de Čelákovice. A pequena cidade, cortada pelo Rio Elba, possui pouco mais de 11 mil habitantes. Fica a 30 quilômetros de Praga, a badalada capital da República Tcheca. 

A vida é calma, apesar de Čelákovice ter a fama de abrigar o maior cemitério de vampiros da Europa Central, encontrado em escavações em 1966. 

Čelákovice
Čelákovice, na República Tcheca
(Foto: Portal da Cidade) 
Cinquenta anos depois da descoberta, arqueólogos decidem revelar como seria um desses supostos vampiros que teria assombrado a região. É aí que procuram o 3D designer brasileiro Cícero Moraes, famoso por suas reconstituições faciais de personagens históricos. 

Cícero está em Sinop, em Mato Grosso, onde mora, quando abre uma estranha mensagem. 

— Em novembro de 2016, eu recebi um e-mail de solicitação de uma reconstituição facial forense. Esse e-mail era de um grupo tcheco e eu achei curioso, quando comecei a ler a descrição desse crânio. O pessoal explicou que esse crânio fazia parte do acervo de um museu e esse crânio era do conhecido Vampiro de Čelákovice. 

O convite é do Museu Municipal local. 

— Eles iam fazer uma mostra falando dessa situação dos vampiros, como Čelákovice se tornou uma cidade dos vampiros. Depois até se tornou um local de turismo. As pessoas iam para saber um pouco mais sobre essa história. E por conta dessa notoriedade queriam saber como era o rosto desse indivíduo — diz Cicero.    

O designer aceita o desafio, o mais inusitado entre as dezenas que coleciona em sua carreira. Cicero obteve destaque na imprensa internacional ao reconstituir personagens históricos. Para o novo trabalho, Cicero receberá a reprodução digital em 3D de um crânio. 

— O ano é 1966 e próximo à cidade de Čelákovice um fazendeiro estava fazendo uma reforma, num dos prédios da sua fazenda, um galpão. No momento que ele estava fazendo um buraco, provavelmente para colocar um pilar ou alguma coisa nesse sentido, ele se deparou com o que parecia ser um crânio humano. Como ele identificou que era um crânio humano, ele se assustou porque julgava que poderia ser o crânio fruto de um assassinato. 

— Rapidamente, ele entrou em contato com a polícia local, preocupado com a situação. A polícia se deslocou até lá. E assim que eles fizeram a averiguação dos restos mortais, rapidamente eles viram que não se tratava de um assassinato recente. 


Agora, começa a parte mais interessante da história. 

— Eles entraram em contato com um grupo de arqueólogos. Os arqueólogos se deslocaram até o local. Começaram a fazer escavações e descobriram que não se tratava apenas de um corpo. Mas de 14 corpos. E esses corpos tinham características, a forma como foram enterrados, fugia a forma tradicional que o pessoal enterrava os mortos naquela época. Depois eles viram que eram bem antigos mesmo. Não era daquela época — conta. 

Sepultura 2 (Foto: Museu de Čelákovice)
As pesquisas iniciais apontaram que o cemitério pode ter sido criado entre os séculos XI e XII. 

O arqueólogo Jaroslav Špaček, que dirigiu o Museu de Čelákovice, concluiu que os esqueletos haviam sido alvos de medidas antivampíricas. 

Com mãos amarradas e a cabeça voltada para baixo, de acordo com a crença, por exemplo, os mortos não encontrariam o caminho de volta ao mundo dos vivos. 

— E junto com os corpos tinham algumas fivelas, indumentárias e a forma que eles foram mortos lembrava muito aqueles rituais vampiristas que o pessoal enterrava de cabeça para baixo, cortava a cabeça do indivíduo para separar do corpo, as mãos pareciam que estavam atadas — explica. 

— E aquilo suscitou um burburinho, principalmente dos populares que poderia se tratar de vampiros. E a cidade ficou com fama de a cidade dos vampiros. 

Segundo a lenda, revenant ou aquele que regressa do mundo dos mortos precisa beber sangue humano para se fortalecer. A crença, com muitas variações, acompanha a humanidade há séculos e em várias culturas. Mas o vampiro que ganhou vida na literatura e no cinema se inspirou em lenda dos Balcãs e da Europa Oriental.  

Sepultura 5 (Foto: Museu de Čelákovice)
O primeiro registro da palavra vampiro aparece no início do Século 18. 

Após vencer o Império Otomano, a Áustria havia anexado grandes extensões da Sérvia ao seu território. Nas terras dos povos eslavos, os austríacos ouviram muitos relatos sobre mortos-vivos que sugam sangue.   

Em 1725, o relatório do Provedor Imperial Frombald, um funcionário da administração austríaca, menciona pela primeira vez a palavra ‘vampiro’. Ele havia visitado a vila de Kisilova, possivelmente a atual Kisiljevo, na Sérvia. 

No documento, relata o caso do camponês Petar Blagojević (Petar blagoevit), que teria saído da sepultura dez semanas após a morte e, em um período de apenas oito dias, causado a morte de nove moradores da região. Especula-se hoje que alguma doença desconhecida possa ter provocado as mortes e gerado a confusão. 

Relatório militar informava que
cadáver tinha sangue fresco

O fato é que a população em pânico exigiu a exumação do corpo de Blagojevic.  

O funcionário descreve o momento em que se abriu o caixão e se cravou a estaca no peito do cadáver. Escreve o provedor imperial:  

"O rosto, as mãos e os pés, e todo o corpo estavam tão bem constituídos, que não poderiam ter estado mais completos em sua vida. Com espanto, vi um pouco de sangue fresco em sua boca, que – de acordo com os relatos – havia sido sugado das pessoas mortas por ele... assim, ao ser perfurado, um monte de sangue, completamente fresco, também jorrou de seus ouvidos e boca, e aconteceram outras manifestações que não descrevo por respeito." 

A história, publicada em um jornal austríaco, provocou histeria. A lenda dos vampiros se propagou rápido pela Europa. 

O rosto do suposto vampiro de Čelákovice elaborado por Cicero Moraes
com base no crânio encontrado em 1966 em cemitério incomum na Europa Central

O gênero ganhou melhor forma com o lançamento do romance ‘O Vampiro’, em 1819, do médico e escritor inglês John William Polidori. A criatura é descrita como carismática e sofisticada. A imagem é ampliada com o romance ‘Drácula’, de Bram Stocker, lançado em 1897.  

O romance 'O vampiro',
o primeiro de 1819

— Quando recebi a solicitação de reconstituição e vi que era um vampiro a primeira coisa que eu lembrei foi o filme do ‘Drácula’, de 1992. Um filme muito bom. Sempre assisto — conta Cicero. 

A imagem digitalizada do crânio é enviada a Cicero, mas sem os detalhes antropológicos de sexo, idade e ancestralidade. 

O designer faz as marcações e enxerta volume de acordo com cada região da cabeça. 

No trabalho, Cícero conta com a ajuda de outro brasileiro, o especialista em odontologia forense Marcos Paulo Salles Machado. A análise permite saber mais sobre o esqueleto. Pela arcada, descobre-se que é um europeu, entre 30 e 40 anos. 

O suposto vampiro sai do mundo dos mortos e começa a ganhar vida em um trabalho gráfico. Tipo de cabelo, cor da pele e dos olhos são meras suposições. Baseiam-se nos padrões comuns para os habitantes daquela época e localidade. 

O que Cícero não contava era com a reação das pessoas à aparência do suposto vampiro. 

— Quando a gente foi fazendo a reconstrução foi surgindo uma aparência garbosa. Era um indivíduo bonito. Tanto que assim que a gente finalizou e apresentamos à equipe, foi um dos primeiros comentários: ‘É uma pessoa bonita.’ E quando foi apresentado também houve uma comoção em torno da beleza do indivíduo — surpreende-se Cicero.  

O 3D designer Cicero Moraes reconstruiu
face do suposto vampiro (Foto: Martin Dlouhý)
Uma curiosidade. Segundo o designer, reconstituições de pessoas belas são mais aceitas.  

— O que é natural. Quando a gente faz uma reconstrução facial, isso eu sempre digo, quando você faz uma reconstrução e a pessoa fica agradável aos olhos, fica bonita, todo mundo fala: ‘Olha, realmente, era desse jeito que o indivíduo era.’ Quando você faz uma reconstrução que o indivíduo não fica muito bonito, pessoal tende a não aceitar muito, fala: “olha, acho que não era bem assim.’ Principalmente, se gosta: ‘Acho que não era bem assim.’ 

— E no caso do vampiro, como ele fez sucesso, a ponto de surgirem algumas brincadeiras assim que algumas pessoas queriam ser mordidas por ele por conta da beleza. 

— Entregamos a reconstrução para o museu, depois da aprovação.  Essa reconstrução se transformou numa série de matérias tanto de jornais, revistas, sites de internet e foi distribuída em 15 ou 16 idiomas. 

A partir daí a história começaria a tomar um novo rumo.   

—  É claro que não se tratava de um vampiro de verdade. Depois, eles viram que os ossos eram de excluídos sociais — observa Cicero. 


Sepultura 3 (Foto: Museu de Čelákovice)
Estudo apresentado pela antropóloga Miroslava Blajerová, em 1971, revelou que as vítimas tinham crânios mais curtos do que era comum em outras sepulturas eslavas na virada dos séculos 10 e 11. Amantes do mistério chegaram a especular que seria uma raça diferente de vampiros. 

Na verdade, a antropóloga sugeria que as características eram de ocupantes da região entre os séculos 13 e 15, bem mais recente, por tanto. 

Neste estudo, publicado em 2017, com a participação da arqueóloga tcheca Pavlína Mašková, são apresentados argumentos significativos para mudar o rumo da história. 

Eram 11 sepulturas com 14 esqueletos. Alguns estavam de bruços ou de lado e não tinham nem mesmo uma orientação comum, como é usual em cemitérios. A posição das mãos de alguns indivíduos indicava que poderiam estar amarradas. Três esqueletos estavam com o crânio fora da posição normal. 

Em 1966, quando foram descobertos, túmulos atípicos como estes eram geralmente associados às chamadas medidas antivampíricas. 

Crânio de mulher do Século XV ou XVI:
tijolo na boca, suspeita de ação antivampírica
De acordo com as fontes medievais da Europa Central, apenas enterrando uma estaca e queimando o corpo seria um meio eficaz contra um revenant ou mortos-vivos. Nesse período, não se falava ainda em vampiros como nos séculos 18 e 19, época em que passou a se separar a cabeça, amarrar as mãos ou prender o corpo com pedras. Isto indicaria que os esqueletos descobertos em 1966, por serem mais antigos, não haviam sofrido estas medidas antivampíricas. 

Em 2016, com o método do radiocarbono 14C, análises das amostras das sepulturas 6 e 7 dataram o achado nos séculos 13 e 14. 

Os arqueólogos passaram a acreditar que as cabeças se separaram do tronco de forma natural. 

— E talvez pela forma que eram enterrados, sem muito cuidado, claro que o corpo ia se decompor de forma diferente e isso deve ter causado a situação de a cabeça se separar do corpo, as mãos ficarem separadas — assinala o 3D designer. 

Estudo da arqueóloga tcheca Pavlína Mašková, publicado em 2017, aponta que
os esqueletos de Čelákovice seriam, na verdade, de excluídos sociais

De acordo com as fontes escritas da época, sabe-se que pessoas excomungadas, não batizadas e de outra fé, suicidas e criminosos foram excluídos do espaço do cemitério paroquial da cidade.  

— Eram pessoas que não eram enterradas no mesmo local dos outros habitantes da cidade. Pessoas que talvez tivessem alguma doença que assustava as demais pessoas do local. Então, eles eram enterrados em outra parte da cidade, bem distante do cemitério municipal. 

Exposição 'Existiram vampiros em Čelákovice?',
em 2016, marcou os 50 anos de pesquisas 
Além disso, cinco fivelas de ferro encontradas no local indicavam que os corpos estavam vestidos, reforçando a ideia das execuções. Na época, as pessoas costumavam ser enterradas apenas com uma túnica.  

Somente em um caso não foi possível estimar o sexo por causa da preservação insuficiente dos ossos. Todos os demais eram com certeza homens, a maioria jovens. O que também reforça a hipótese de alguns serem condenados. 

O rosto do suposto vampiro foi a principal atração da exposição “Existiram vampiros em Čelákovice?” O evento no museu local abordou os 50 anos de pesquisas envolvendo aqueles enterros incomuns. 

O arqueólogo Jaroslav Špaček reafirma a
tese de intervenções antivampíricas
—  Um fato interessante é que quando foi inaugurada a mostra, os idealizadores da mostra foram vestidos a caráter, mais ou menos com as indumentárias da época, contrataram um grupo de música da época, se apresentaram lá, serviam alimentos que eram servidos no Século 12, e foi um trabalho magnífico — observa Cicero Moraes.

Apesar dos estudos mais recentes, o arqueólogo Jaroslav Špaček, que dirigiu o Museu de Čelákovice, acredita que o cemitério, de fato, foi alvo de intervenções antivampíricas. Aos 77 anos, ele enviou e-mail para esta reportagem contestando a nova versão de que os esqueletos pertenceriam a excluídos sociais e condenados.

Para Jaroslav Špaček, mortos
sofreram ações antivampíricas

— O fato de que os mortos tenham sido excluídos sociais não contradiz a hipótese de também terem sofrido intervenções antivampiro, o que declarei com base em estudos etnológicos e arqueológicos disponíveis na época. No material esquelético que eu pessoalmente descobri e recuperei, não havia um único sinal de que as pessoas foram condenadas ou executadas, como estão tentando interpretar alguns estudos recentes — assinalou.

Um outro ponto que o arqueólogo contesta é a datação do achado para um período mais recente.

— Tenho comentários sérios sobre a datação atual baseada no uso do radiocarbono, também no que diz respeito aos métodos de preservação. Portanto, não vejo razão para datar a descoberta para um período mais jovem do que o início da Idade Média — diz.

Apesar dos novos estudos, a fama de Čelákovice parece inabalável.

— Čelákovice ainda mantém a reputação de ser o maior cemitério com intervenções antivampiros na Europa Central — observa o arqueólogo tcheco.


sábado, 23 de maio de 2020

Brigadeiro que inspirou doce morreu solteiro aos 84 anos



Eleição de 2 de dezembro de 1945: as mulheres vão votar pela primeira vez para presidente no Brasil. E um candidato as fazem suspirar: Eduardo Gomes.

— Ele (Eduardo Gomes) tinha um fã clube enorme de mulheres pelo fato de ser solteirão, ter boa imagem — diz o historiador Lucas Striguetti.

Um grupo de admiradoras cria um doce e o batiza de brigadeiro para vender e reforçar o caixa da campanha. O doce se tornará um dos mais conhecidos da culinária brasileira e romperá fronteiras. Mas o resultado da eleição será indigesto. Este é o doce sabor da derrota de Eduardo Gomes, um dos lendários combatentes dos 18 do Forte.

Imagem icônica da caminhada dos "18 do Forte"
(foto: Zenóbio Couto/ Correio da Manhã)
— Pensa assim: ‘18 marchando contra um governo, é palhaçada.’ Foi sério. Morreu gente — observa o historiador, Adler Homero.

— Ele praticamente não comentava sobre a Revolta do Forte de Copacabana. Ele morreu solteiro em 1981 — completa o historiador Milton Teixeira.

— Faz aquele Brigadeiro da panela e vai comendo na colher. Que delícia. Quem é que não gosta de brigadeiro, gente? — pergunta a atriz Desirée Oliveira, a mulata do Zorra Total.

Nesta história, veja a receita mágica de um doce, inspirada no brigadeiro Eduardo Gomes, que se espalhou pelo mundo. E mais: o que historiadores falam sobre este homem tão reservado, respeitado e que guardava um grande segredo...

PASSEIO NO PARQUE


No Aterro do Flamengo, o professor João Baptista Ferreira de Mello, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, guia um grupo de interessados em História. É mais um passeio do projeto Roteiros Geográficos, que oferece visitas guiadas, gratuitas, a regiões históricas na cidade.

— Ele perdeu a eleição, Eduardo Gomes, para o Dutra, em 1945. Eduardo Gomes era um homem
João Baptista: aula na rua sobre a origem do doce brigadeiro
muito bonito. Mas na coisa lá dos 18 do Forte, em Copacabana, ele perdeu, né? Levou um tiro e perdeu... — diz o professor, do Departamento de Geografia.

O professor, bem-humorado, tem a atenção de todos, com um megafone na mão.

— As mulheres tinham muita admiração por ele (Eduardo Gomes) porque ele era um homem muito bonito e, como ele era brigadeiro, elas faziam o doce, agora famoso, em homenagem ao brigadeiro. Elas não só fizeram campanha como nomearam o doce de brigadeiro.

Apontando para o Aterro do Flamengo, bem em frente ao antigo prédio da TV Manchete, na Glória, ele explica que Eduardo Gomes é homenageado naquele bairro.

— Oficialmente este parque tem o seu nome: Parque Brigadeiro Eduardo Gomes. Quando comer brigadeiro lembre-se do Eduardo Gomes —  diz o professor, que percebe um riso na parte de trás do grupo —. O outro está rindo. Você não vai comer o Eduardo Gomes, você vai comer o brigadeiro. O Outro está se escangalhando de rir.

O Forte de Copacabana em foto aérea de 1922
(Foto: Acervo DPHDM)

RIO DE JANEIRO, 1922


— O ex-presidente Hermes da Fonseca, o general Hermes da Fonseca, o filho dele era o comandante do Forte (Euclides Hermes da Fonseca). E circulou que haveriam cartas desabonadoras do presidente da República contra o general Hermes. Cartas falsas. ‘Fake news’ em 1922. A imprensa levantou esta questão que estavam atacando o Hermes da Fonseca, que era uma figura respeitável. Tinha sido presidente da República — diz o historiador Adler Homero, o maior especialista em fortificações históricas no Brasil.

O presidente ainda é Epitácio Pessoa.  Arthur Bernardes havia vencido eleição conturbada e assumiria apenas em novembro de 1922.

— O Hermes da Fonseca se rebelou contra essa questão. Ele era presidente do Clube Militar, ele foi preso. Contra essa prisão e contra essas cartas desabonadoras houve uma série de pequenas revoltas, inclusive da guarnição do Forte de Copacabana. Os outros pontos foram facilmente reprimidos. Só ficou o forte — observa Adler.

É neste momento que um jovem idealista se apresenta no forte para se unir aos revoltosos. Ele vai entrar para a História do Brasil. Seu nome, Eduardo Gomes, nascido em 20 de setembro de 1896.
Ele vem de uma família de posses que empobrece.

Os pais de Eduardo: Luís e Jenny Gomes
— A mãe dele, Jenny Gomes, de uma família muito importante. Ela era filha de um visconde. O pai dele, Luís Gomes, era da Marinha. Ele vai sair da Marinha. Ele tinha um plano de construir uma ferrovia. Então, ele vai fazer muito investimento. Ele vai pegar todo o dinheiro que ele tinha guardado — conta o historiador Lucas Striguetti, autor do livro "O pensamento político do Brigadeiro Eduardo Gomes".

Mas, o negócio fracassa. Em dificuldades financeiras, Luís, a mulher e os filhos se mudam para Petrópolis. Ele consegue emprego no Jornal do Brasil.

— Eduardo Gomes gostava muito de ler, muito quieto, bom aluno, tanto é que foi apelidado de O Matemático — diz Striguetti.
Eduardo Gomes, aspirante

Aos 20 anos, Gomes ingressa na Escola Militar de Realengo. Considerado reservado pelos colegas,
recebe o apelido de ‘Frei Eduardo’. Já é tenente, quando toma conhecimento da rebelião no Forte de Copacabana, e decide se unir aos revoltosos.

Neste momento, o forte é cercado por forças leais ao presidente Epitácio Pessoa.

— O Brasil tinha um encouraçado, o São Paulo, armado com canhões de 305 milímetros. Disparava uma bala deste diâmetro, desta altura, de 390 quilos. Ele foi para Copacabana, ancorou e disparou contra o forte. Várias vezes. Só que o forte era muito bem feito e não chegou a fazer efeito — explica Adler Homero.

Os rebeldes respondem com mais disparos.

— O Forte de Copacabana chegou a disparar contra a cidade. Fez vários disparos. Matou civis. Eles atiraram no Forte do Leme e mataram quatro soldados que estavam fazendo a refeição — acentua Adler.


Correio da Manhã anuncia reação do governo
O Rio já é uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, conforme mostra o Censo de 1920. O cenário do conflito, Copacabana, porém, só possui 22 mil moradores. Os revoltosos buscam apoio.

Tenente Newton Prado observa
a movimentação (Foto: Careta)
— Eles tinham a esperança que o movimento fosse apoiado por várias outras unidades no Rio de Janeiro, que derrubaria o governo. Seria um golpe militar. Não deu certo — comenta Adler.

Curiosos se aproximam do forte para assistir ao desfecho do impasse. O tenente Newton Prado, com seu fuzil, observa o cenário. As forças federais, leais ao presidente Epitácio Pessoa, se posicionam para o embate.

— Muita gente foi para o forte apoiar o movimento. Chegou a ter 300 pessoas dentro do forte. Só que viram que não ia dar certo, então, começou a haver uma debandada geral. Ficaram muito poucos dentro do forte — acrescenta Adler.

Cercados, os revoltosos precisam tomar uma decisão.

— O Siqueira Campos queria tacar fogo no forte, explodir o forte, enfim, matar todo mundo, fazer um suicídio coletivo — conta Lucas Striguetti.

Mas, os revoltosos decidem seguir a proposta apresentada por Eduardo Gomes.

— Então, eles resolveram fazer uma demonstração. Um ato de resistência. E saíram… saíram uns 20 e poucos marchando contra o governo pela Praia de Copacabana — observa Adler Homero.


Os revoltosos caminham e recebem apoio de populares

MARCHA PARA A MORTE


O relógio marca duas horas da tarde.

— A marcha começou com mais de 20. Se não me engano foram 29, os pedaços da bandeira que foram rasgados e distribuídos para cada um deles. Só que ao longo do caminho, eles foram do Posto 6 ao Posto 4, alguns que sentiram que a coisa não ia dar certo foram sutilmente saindo pelo escanteio, assim. E um se juntou ao movimento, um civil, Francisco Otaviano. Ele aparece bem na fotografia que aparecem os 18 marchando pelo forte — explica Adler.

Entrada do Forte de Copacabana: daqui saíram os revoltosos

ÉLCIO BRAGA: Entramos aqui na Rua Francisco Otaviano. Logo ali na frente, no encontro com a Avenida Atlântica, à direita, fica o Forte de Copacabana. É daqui que saem os revoltosos, com suas armas, em direção ao Leme.
Fico imaginando o que eles pensavam durante este trajeto até a Rua Barroso, hoje Rua Siqueira Campos. Eduardo Gomes provavelmente pensava na mãe. Ele era muito apegado a mãe,  a família, religioso...


— Só que chega determinado momento, onde tem inclusive a estátua na Siqueira Campos, ali dos 18 do Forte, e houve um massacre — conta Adler.

De acordo com a Gazeta de Notícias, os revoltosos se entrincheiraram nas areias da praia. Os confrontos finais teriam sido de faca.

— O governo chegou a mobilizar 5 mil soldados pra reprimir o movimento. Pouco mais de dez que restavam do movimento contra centenas de soldados, a coisa acabou rapidamente. Não morreram todos. Inclusive, alguns saíram feridos — completa Adler.

Fim dos combates. Feridos e mortos na praia de Copacabana
Segundo o jornal O Paiz, o conflito teria durado uma hora e 20 minutos. Nesta imagem, vemos o resgate de mortos e feridos.

No dia seguinte, a Gazeta estima em 20 o total de mortos. Entre os revoltosos teriam sobrevivido apenas Siqueira Campos, Eduardo Gomes e mais dois ou três praças.

— O Eduardo Gomes recebeu um ferimento na virilha. Os que sobreviveram foram presos, mandados para prisão na Ilha da Trindade — acrescenta Adler Homero.

O presidente da República visita os feridos no hospital.

— Epitácio Pessoa chega para o Eduardo Gomes, ferido, que estava na maca, e perguntou porque ele participou de um movimento desse. Falou que conhecia o pai dele, o Luís Gomes, e o Eduardo Gomes fala que não se arrepende de nada, que ele fez aquilo que ele achava que era certo — diz Lucas Striguetti.

Epitácio perguntou a Gomes o motivo da revolta
O ferimento de Eduardo Gomes é grave.

— Ele tomou um tiro na perna esquerda. Sofreu uma fratura no fêmur. E ele só foi melhorar da perna esquerda depois que ficou preso numa ilha, Ilha da Trindade — assinala Striguetti.

Mas outra versão se espalha.

— Mas na época, sempre correu esse boato, que ele teria ficado incapacitado e nunca teria tido filhos por causa disso. Tanto que corria o apelido que ele era o belo Antônio. Ele era bonito, mas não era de nada — observa Adler Homero.

No livro ‘A Trajetória de um Herói’, o escritor Cosme Degenar Drumond, já falecido, cita apenas um namoro mais sério do brigadeiro. A jovem o teria visitado, inclusive, no Forte de Copacabana, antes do combate. Depois, segundo o biógrafo, Eduardo teria apenas breves namoros.

— Na adolescência, ele até teve uma paixão por uma moça. Mas o fato é que ele sempre dizia que a vida dele, por ele participar de revoluções, de estar envolvido em movimentos políticos importantes, ele achava que não deveria se relacionar com ninguém — destaca Striguetti.

Para outros historiadores, o tiro teria destruído qualquer sonho do jovem oficial viver um grande amor.

Farda de Gomes na revolta (Foto: Musal)
— Você vai lá no Museu Aeroespacial, a farda está lá. Tiro de fuzil, fuzil Mauser. Um balaço, deste tamanho, destruiu… e tem mais, dependendo da distância que foi acertada, a bala entra girando dentro de você. Então, já viu, vai estraçalhando tudo — alega o historiador Milton Teixeira.

Após se recuperar e passar um tempo na prisão, Eduardo Gomes volta a conspirar.

Ele participa da Rebelião Militar de 1924, em São Paulo. É preso quando tenta se integrar à Coluna Prestes. Libertado em 1926, volta a ser preso em 1929.

A sorte de Eduardo Gomes começa a mudar em 1930. Ele participa das ações que derrubam o presidente Washington Luís. Como um dos sobreviventes da Revolta dos 18 do Forte, passa a ser valorizado na carreira militar.

— Esse movimento se tornou uma bandeira do movimento tenentista contra a situação da República Velha. Então, quando houve a Revolução de 1930, se pegou esse símbolo que era contra a situação da oligarquia e contra o governo corrupto que havia e eles viraram um símbolo cultuado pelo governo Vargas — avalia Adler.

Gomes participa do laçamento do Correio Aéreo Militar

Gomes recebe seguidas promoções. Ajuda a criar o Correio Aéreo Militar, mais tarde Correio Aéreo Nacional.

Em 1935, Eduardo Gomes atua contra o levante da Intentona Comunista. Mas se afasta do governo após a decretação do Estado Novo em 1937, um golpe de Getúlio para permanecer no poder. Em 1941, é promovido a brigadeiro.

ELEIÇÕES DE 1945


Com a queda do governo Vargas, em 1945, a recém-criada União Democrática Nacional escolhe Eduardo Gomes como candidato a presidente.

— Ele (Eduardo Gomes) simbolizava aquela imagem de herói dos 18 do forte de Copacabana — conta Lucas Striguetti.

Charmoso, Gomes logo conquista a atenção do eleitorado feminino.

— Em 1945, as mulheres pela primeira vez votaram para presidente — observa Striguetti.

Frame de filme do Tribunal Eleitoral em 1945
Neste vídeo, vemos uma simulação do Tribunal Eleitoral para orientar o voto, em 1945.

Só que há um problema: a campanha do candidato da UDN patina sem recursos. Mas, aí, surge um doce mágico.

— Na época havia uma mulher chamada Heloisa Nabuco e ela fazia doces maravilhosos e daí a UDN, para juntar fundos, fazia chá, café da tarde, enfim. Foi nesse momento que essa Heloisa apareceu com o doce de leite condensado e chocolate para homenagear o Eduardo Gomes. Colocou o nome de brigadeiro já que ele era brigadeiro da Aeronáutica. E esse docinho pegou — explica Lucas Striguetti.

Versão mais popular é de que docinho foi criado no Rio
Há versões menos conhecidas que indicam que a criação do doce teria ocorrido em São Paulo, em Minas Gerais ou até no Rio Grande do Sul, onde seria conhecido como ‘negrinho’.
O fato é que o doce, como ‘brigadeiro’, ultrapassou as fronteiras. Há quem o chame até de trufa brasileira.
As mulheres ajudavam a propagar, ainda, o slogan: “Vote no Brigadeiro, que ele é bonito e é solteiro!”

Avenida Atlântica, o local do embate 98 anos depois
ÉLCIO BRAGA: Exemplo da acirrada disputa entre Dutra e Eduardo Gomes. A cena se passa em um almoço na minha família, em uma área rural em Queimados, no Rio. Durante a eleição de 1945, uma prima do meu pai, uma criança, então, de seis anos, diz que quer um brigadeiro. O tio dela lhe dá um tapa na cara e deixa todos os presentes constrangidos. Ele era eleitor do general Dutra.


Um episódio prejudica a campanha do brigadeiro.

— O Eduardo Gomes estava no Theatro Municipal. Estava realizando um discurso e falou que não precisava do voto dessa malta de desocupados. Só que ele estava se referindo a outra coisa. Então, você tinha na época o Hugo Borghi. Ele estava defendendo o Dutra, né? Ele trabalhava no rádio. Ele viu que o Eduardo Gomes citou o termo malta. Então, ele foi procurar no dicionário o significado. Um deles, relacionado a trabalhadores, que levavam a sua marmita. Ah, ele teve uma ideia e resolveu colocar na mídia que o Eduardo Gomes quis dizer que não necessitava do voto dos marmiteiros, dos mais pobres — conta Lucas Striguetti.

E mais boatos são disparados. Os adversários afirmam que o brigadeiro, se eleito, proibirá os negros de andar de bonde, usar gravata ou ir a praia e ao cinema.

— O discurso dele era muito extenso, termos difíceis — observa Striguetti.

Mas o doce não muda os rumos da eleição.

— Foi uma disputa muito cerrada, mas o Dutra era um candidato que era apoiado pelo Vargas que tinha um prestígio muito grande. Então, as chances do Eduardo Gomes ganhar eram pequenas — assinala Adler Homero.

RIO DE JANEIRO, 1950


Mas o Brigadeiro não desiste. Ele volta a se candidatar a presidente em 1950, agora contra Getúlio Vargas.

— Eu penso que em 45 e principalmente 50 o Eduardo Gomes defendia uma terceira via para o nosso país. Ele pensava em uma reforma para o capitalismo. E em muitos momentos ele vai colocar a sua posição liberal. Então, por exemplo, ele achava que o ensino teria de ser gratuito para todo mundo. Não deveria existir escolas particulares. Mas ele defendia também o sistema meritocrático. Até o poeta Carlos Drummond de Andrade vai fazer um conjunto de três poemas falando sobre Eduardo Gomes. Ele tinha um plano muito revolucionário pensando na educação, pensando nos mais humildes e mais pobres, para a época — diz Striguetti.

Neste cartaz da campanha, aparece com sua mãe, dona Jenny, com quem vivia. Mas perde novamente.
Após a morte de Vargas, Gomes vira ministro

— Eu penso que em 45 e, principalmente, 50, o Eduardo Gomes defendia uma terceira via para o nosso país. Ele pensava numa reforma para o capitalismo.Em muitos momentos, ele vai colocar a sua posição liberal. Então, por exemplo, ele achava que o ensino deveria ser gratuito para todo mundo. Não deveria existir escolas particulares. Mas ele defendia também o sistema meritocrático. Ele tinha assim um plano muito revolucionário, pensando na educação, nos mais humildes, nos mais pobres, naquela época — observa Lucas Striguetti.

Em 1954, o brigadeiro se envolve na campanha pelo afastamento de Getúlio Vargas. A crise culmina com o suicídio do presidente.

— O Café Filho, vice do Getúlio, toma o poder e chama o Eduardo Gomes para ser o ministro da Aeronáutica — afirma Striguetti.

Dez anos depois, o brigadeiro participa do Golpe de 1964, que pôs fim ao governo de João Goulart. Torna-se novamente ministro da Aeronáutica, em 1965, na presidência de Castelo Branco.

— A princípio, ele apoia o golpe civil-militar achando que ia ser bom para o Brasil, mas vendo que estava demorando muito para a volta de um civil ao poder, ele acaba sendo contra — assinala Lucas Striguetti.

Mesmo fora do Governo Militar, no período mais linha dura, intercede em favor do capitão Sérgio Macaco, que havia denunciado o chefe de gabinete do Ministério da Aeronáutica de planejar explodir o Gasômetro no Rio.

A intenção seria pôr a culpa em inimigos do regime e prender oposicionistas. Gomes questiona ações que não correspondem aos valores cristãos. Nesta época, já é visto como uma lenda viva pelos militares.

Gomes se torna uma lenda viva. É apelidado de 'O Velho'
— Ele era muito respeitado. O pessoal falava ‘lá vem o Eduardo Gomes, lá vem...’ Ele tinha o apelido de ‘O Velho’ neste período — assinala Striguetti.

O brigadeiro vive com simplicidade.

— Quando ele sai da Aeronáutica, ele se aposenta, passou a ir com mais frequência às missas aos domingos. Ele morava na Praia do Flamengo. Gostava de fazer caminhadas. Ele gostava muito, também, de usar um terno escuro. Para você ter uma ideia, metade do salário dele, ele doava para os pobres de Petrópolis e missões religiosas — diz Striguetti.

O seu prazer é ir ao Maracanã, misturado ao grande público. Gosta também de ir ao cinema. Era fã de Greta Garbo.

Apesar de ter alcançado o posto de marechal-do-ar em 22 de setembro de 1960, é como brigadeiro que gosta de ser chamado.

É com esta patente que ele, nas eleições de 1945, havia ficado na memória do povo brasileiro e também no paladar.

Nos livros de História, é sempre lembrado por sua participação no movimento ‘Os 18 do Forte’. Mas, para o brigadeiro, este parece ser um assunto proibido.

— Ele praticamente não comentava sobre a Revolta do Forte de Copacabana. Foi o último sobrevivente. Passou o aniversário da Revolta do Forte de Copacabana... queriam entrevistá-lo… Mas na época da Ditadura Militar, você falava se queria e bem entendia, ainda mais militar. E ele não dava entrevista. Não concedia entrevista. Eu só conheço um depoimento dele sobre o Forte de Copacabana, que foi para determinar o local que deveria ser o monumento aos 18 do Forte, na Praia de Copacabana e ele escreveu um documento, escrevendo que era ali que tinha ocorrido o tiroteio — pondera o historiador Milton Teixeira.

Uma outra informação preciosa, revelada pelo brigadeiro, já no fim da vida, envolve o número de revoltosos que teriam participado do combate final: segundo ele, 13 homens e não 18.

— Pessoas que o conheceram diziam que ele ia nas solenidades do 5 de julho e não dava depoimento nenhum. Isso eu conversei com muita gente que esteve com ele… assim, e claro, se eu fosse traumatizado como ele, eu também não daria... — acrescenta Teixeira.

A última foto do brigadeiro. No dia seguinte, estaria morto (foto: FAB)

Esta foto foi tirada em 12 de junho de 1981. Bem fragilizado, Eduardo Gomes participa das comemorações dos 50 anos do Correio Aéreo Nacional, no Rio de Janeiro. É a última aparição pública. No dia seguinte, com problemas cardíacos, estaria morto.

Três anos após a morte, em 1984, Eduardo Gomes é declarado Patrono da Força Aérea Brasileira. Hoje seu nome está no Aeroporto Internacional de Manaus. E também no parque que ocupa parte do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, virou importante avenida. O brigadeiro é homenageado ainda em muitos outros logradouros pelo país.

Mas a homenagem que o torna tão próximo de todos nós é mesmo o doce da campanha malsucedida de 1945.

O brigadeiro ganhou lojas no exterior

sábado, 9 de maio de 2020

Enfim, sabemos para quem foi feita 'Your song', maior sucesso de Elton John



Por que raios Bernie Taupin compôs 'Your song', em parceria com Elton John? Essa música foi o primeiro grande sucesso de Elton John. A canção, embora simples, se tornou o primeiro e o maior sucesso na carreira de Elton John. Sempre tive curiosidade de saber como foi composta. Por isso, resolvi pesquisar tudo sobre esta canção. Procurei críticos de música, jornalistas e até historiadores para descobrir a resposta. O resultado é este vídeo que você está vendo incluído aqui nesta postagem.

 Logo que coloquei o vídeo, por coincidência, lançaram logo depois o filme 'Rocket-man', que conta,  de uma forma livre, um pouco sobre a trajetória de Elton John. No princípio do filme, revela-se como 'Your song' surgiu.

Bernie Taupin era um rapazola quando escreveu a bela poesia, durante um café da manhã, na casa dos pais de Elton John, onde estava hospedado. Só precisou de 20 minutos para compô-la em um pedaço de papel sujo de café. Elton John recebeu a letra e, em torno de outros 20 minutos, compôs a melodia em seu piano branco. Assim nasceu a obra-prima. Nesse ponto, todo mundo concorda.

O filme, porém, deixa a entender que a música corresponderia a um amor platônico de Elton John pelo amigo, diferentemente do vídeo que elaborei. Felizmente, em uma reportagem publicada posteriormente ao lançamento do longa, Bernie Taupin, enfim, consolida a versão que coloquei no vídeo.

O compositor garante que a letra não foi feita para ninguém em especial, nem mesmo destinada a Elton John. Muita gente suspeitava que seria para alguma namorada de Taupin. Mas ele nega. Já coroa, por que mentiria? Acho que 'Your song' não foi feita para ninguém em especial. Por isso, pode ser de todo mundo.

Bernie Taupin compartilha a verdadeira inspiração por trás de "Your Song", de Elton John

sábado, 21 de março de 2020

Maior ataque de tubarão da História inspirou filme e, por tabela, o Aquário do Rio



Élcio Braga
Rio, terça-feira, 24 de março de 2020

Em 1975, o filme ‘Tubarão’ deixou plateias atônitas em todo o mundo. As cenas impactaram especialmente um jovem de 16 anos, petrificado na poltrona de um cinema, no Rio de Janeiro. Hoje, ele é o fundador e dirige o maior aquário marinho da América do Sul, o AquaRio.

Esta história é sobre um dos mais extraordinários animais de todos os tempos: o tubarão. Mas é também sobre como um filme pode mexer com a nossa vida.

Na década de 1990, eu trabalhava na movimentada redação do jornal O Dia, no Rio. Lembro de um biólogo marinho que, contra o senso comum da época, costumava chamar a nossa atenção sobre a necessidade de se preservar o tubarão. Era Marcelo Szpilman.

Vinte anos depois, reencontrei Szpilman durante viagem à Trindade e Martim Vaz, o arquipélago do Brasil mais distante da costa.

— Eu dou uma palestra há muitos anos já. Já dei quase 200 palestras no Brasil todo sobre “Mitos e verdades sobre os tubarões”. Exatamente para desmistificar a questão do tubarão, mostrar que ele não é aquela fera assassina que o filme do Spielberg mostra. Nada. Totalmente diferente disso — conta Szpilman, formado em Biologia Marinha pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e hoje diretor-presidente do Aquário do Rio.

A bordo do navio-patrulha Amazonas, da Marinha Brasileira, pude acompanhar duas palestras de Szpilman. Uma delas foi na Praça D'Armas, o cassino dos oficiais.

— Nenhuma cena do filme ('Tubarão'), praticamente nenhuma, é verdadeira. Não existe esse ataque de levar aquela mulher pra lá e pra cá. Não existe tubarão mastigando ninguém. Nada daquilo é verdadeiro. Mas o cara fez tão bem... eu, quando assisti, tinha 14 anos de idade. Fiquei com medo de entrar na piscina. Mas, a partir daí, as pessoas começaram a ter fobia de tubarão — assinala.

Stethacanthus viveu no período Devoniano. Media até 2 metros

OS PRIMEIROS TUBARÕES


Há 400 milhões de anos, a Terra era bem diferente: o período Devoniano. Mas tubarões pré-históricos, peixes de esqueleto cartilaginoso, já cruzavam os mares.

O tubarão moderno surgiria 100 milhões de anos atrás. Mas descobriríamos a espécie mais impressionante ao analisar fósseis de baleias, com marcas de mordidas mortíferas. Que animal seria capaz de abocanhar uma baleia? O megalodonte. A maior mandíbula já reconstituída de um exemplar, estimada por dentes fossilizados, possuía 3 metros e 35 centímetros de largura por 2 metros e 75 de altura.



O megalodonte, tema de filmes de ficção, surgiu há 23 milhões de anos. O tamanho variava entre 12 e 16 metros de comprimento, com 50 toneladas, mas se acredita que possa ter havido exemplares de 20 metros. O resfriamento da Terra contribuiu para a extinção dessa espécie há cerca de 2 milhões e meio de anos.

Mas a preocupação de Marcelo Szpilman é com a imagem dos exemplares modernos. Existe uma variedade enorme de espécies. O tubarão-lanterna anão (Etmopterus perryi) possui no máximo 21 centímetros de comprimento. E temos ainda o dócil tubarão-baleia (Rhincodon typus), que pode passar de 12 metros.

Na palestra do navio-patrulha Amazonas, Szpilman apresenta os tubarões atuais.

— Pra você ver: são 400 espécies. Mais ou menos, 90 no Brasil. Dezoito com registros de ataque não provocado. Destas, 18, 15 têm dois, três, quatro ataques nos últimos 500 anos. Não representa nenhuma ameaça!

Não provocado é quando o ser humano não tem responsabilidade no ataque. Szpilman identifica três espécies que podem atacar o homem sem uma razão aparente.

— Desses três tubarões, tem o tubarão-branco, cabeça-chata e o tubarão-tigre. Nesses ataques, 90% são por erro de identificação visual — observa o biólogo.



— Esse é o cabeça-chata. Cabeça-chata é o tubarão mais perigoso em águas tropicais. Sem dúvida nenhuma. Este é um animal que entra em água doce, vive em água doce quanto tempo ele quiser. Esse animal frequenta água muito próxima, muito rasa. E este é o tubarão que mais está envolvido em ataques no Nordeste. E foi provocado pelo ser humano. O homem, na década de 80, começou a construção do Porto de Suape. Aterrou o mangue todo daquela região. E, mais do que isso, fechou duas bocas de rio, onde a fêmea do cabeça-chata paria o filhote em água doce. E onde ia parir o filhote (depois da construção do porto)? Alimentação diminuiu. Então, ela se deslocou pra Grande Recife — pondera.

O jornalista Felipe Garraffa, da TV Bandeirantes, cobriu uma série de ataques de tubarão na Grande Recife.
Garraffa: mordida experimental
— Não é que o tubarão quer atacar o ser humano. Ali, naquela região do Recife, a água é muito turva, sobretudo durante o verão brasileiro. Então, o tubarão não consegue enxergar. Ele consegue pelo sensor dele identificar que tem uma movimentação na água e ele faz a chamada mordida experimental. Na hora que ele morde, ele sente que é humano. Alguma coisa não atrai ele. Não é de interesse dele. Tem muito osso. Ele faz a mordida experimental e depois sai — diz Garraffa.

Turista paulista de 18 anos morre após ataque de tubarão na praia da Boa viagem, em Recife, em julho de 2013

— Conversei aí com alguém que foi atacado e essa pessoa fez um relato muito interessante da velocidade que acontece tudo isso. Ele estava nadando, numa boa para pegar uma onda ali, não deu para sentir a aproximação e, de repente, a mordida. A mordida, ele apaga e acorda no hospital com o braço esquerdo amputado — completa o jornalista.

MAIOR ATAQUE DA HISTÓRIA


O tubarão pode identificar substâncias diluídas na água em uma parte por milhão. Equivale a sentir uma gota de sangue a 300 metros de distância.

— Antigamente, espero que seja antigamente, os navios costumavam ir jogando lixo, restos de comida e fezes e tudo na água — prossegue Szpilman em sua palestra, no navio Amazonas —. Então, esse tubarão-azul e o tubarão galha-branca oceânico vinham acompanhando os navios. É uma oferta de alimentos. E quando o navio afunda esses animais já estão no local. E, aí, é um problema que houve na Segunda Guerra Mundial. Muitos militares foram comidos. Navios afundaram, e marinheiros comidos por tubarões. Isto é real. Aconteceu. Aí, é uma orgia. Muito sangue na água. Aí, vira um frenesi.

Indianapolis, cruzador da Marinha americana, havia transportado partes da bomba de Hiroshima. Foto: Marinha dos EUA

Segunda Guerra Mundial: depois de deixar em uma base partes da bomba atômica que seria lançada sobre Hiroshima, o cruzador USS Indianápolis, da Marinha americana, navega no Oceano Pacífico.

— Um submarino japonês avista o USS Indianapólis e dispara seis torpedos. Um torpedo acerta a quilha do navio. Outro acerta o meio do navio, quase corta-o ao meio e, a partir daí, foi um processo muito rápido: explosões, o navio pega fogo, aderna e afunda em 12 minutos — conta Marco de Cardoso, jornalista e pesquisador em História Militar.

Marco de Cardoso: 'Sangue atraiu tubarões.' Foto: Élcio Braga

— O navio tinha uma tripulação de 1.196 homens. No impacto desses dois torpedos que atingiram o navio, mais ou menos, 300 morrem na hora. Mais ou menos, também, 900 sobrevivem e se jogam ao mar. Não tinha água, comida, salvaram assim umas poucas latas de ração. Sol, muito quente durante o dia e a noite um gelo. Esses cadáveres ficaram ali boiando, ensanguentados, e isso atraiu um cardume de tubarões.

— Aí, tem o relato de um marinheiro sobrevivente, chamado Loel Dean Cox, Ele deu graças a Deus de os corpos ainda estarem lá. Porque os tubarões comiam os corpos dos companheiros mortos e não atacavam os vivos. Só que chegou uma hora que os cadáveres acabaram.

Loel Dean Cox: sobrevivente. Foto: Marinha dos EUA

— E aí os tubarões começaram a atacar os marinheiros sobreviventes. Dean Cox relata que ele estava boiando na água nos destroços e tinha outro marinheiro ao lado dele. De repente o cara sumiu. Ele só ouviu os gritos.

— Alguns sobreviventes dão contas que tinham tubarões de quase cinco metros.

— Os 500 náufragos que morreram, pelo relato dos sobreviventes, 100 a 150 foram realmente mortos por tubarões e os restantes muitos deles morreram por que? Sem comida, sem água, de insolação, de hipotermia.




Como um dos torpedos atingiu o sistema elétrico do Indianapolis, não houve tempo para emitir pedido de socorro. Nenhuma operação de busca seria montada.
Cena do filme 'Homens de Coragem' (divulgação)

— Loel Dean Cox fala que um companheiro dele entrou num surto psicótico e começou a beber água do mar. E dizendo o seguinte: ‘Essa água tá muito boa, essa água tá muito boa’. E o cara morreu.

No quarto dia após o afundamento, ocorre o que se pode chamar de milagre.

— Os sobreviventes foram achados por acaso. Tinha um bombardeiro em uma missão de patrulha e, aí, ele avista os caras. Foram resgatados com vida, 300 — diz Marco.






Marco de Cardoso faz uma observação sobre os impactos dessa história, que mereceu grande espaço na imprensa americana na época.
Robert Shaw interpreta Comandante Quint (divulgação)

— Um dado interessante é que o filme 'Tubarão' é inspirado na história do USS Indianapolis. Tem um personagem nesse filme, comandante Quint (interpretado por Robert Shaw), era um dos marinheiros que estava lá no USS Indianapolis e foi um dos sobreviventes — diz Marco.

A cena é cult.

— O submarino japonês bateu dois torpedos ao seu lado, chefe. Estávamos voltando da ilha de Tinian para Leyte. Acabamos de entregar a bomba. A bomba de Hiroshima. Mil e cem homens se jogaram na água. O navio afundou em 12 minutos. Só depois de meia hora vi o primeiro tubarão. Um tigre de quatro metros. Sabe como se descobre isso na água, chefe? Você pode perceber olhando da dorsal para a cauda — descreve Quint, para os dois que o acompanham na caça ao tubarão assassino de um balneário nos Estados Unidos.

Gráfico exibido por Szpilman durante a palestra no navio-patrulha Amazonas

Depois dessa você deve estar achando que tubarão é perigoso. Mas há ameaças maiores. Szpilman mostra isso em sua palestra. Mais cartelas são apresentadas aos oficiais, pesquisadores e jornalistas que viajam para a Ilha da Trindade, a 1.160 quilômetros da costa brasileira.

— No mundo todo, em 100 ataques, no máximo dez pessoas morrem por choque hipovolêmico. Não é o tubarão comendo as pessoas. Quando uma pessoa é atacada, recebe uma mordida, ela sangra. Se ela não for retirada, ela vai entrar em choque, a pressão cai, o cérebro apaga e ela se afoga. É um afogamento secundário que, na verdade, é a causa mortis.

Szpilman alerta que outros animais matam muito mais, no entanto, o tubarão é que leva a fama de ‘fera assassina’.

— Leão: temos aí dezenas de pessoas todos os anos sendo comidas por leão. Então: leão, tigre, crocodilo: se você passar do lado dele, e ele estiver com fome, eu te dou 100% de certeza que ele vai te atacar e vai te comer como uma presa qualquer. Não faz diferença nenhuma pra ele. Tubarão, você mergulha com tubarão em água clara, não sabe se ele se alimentou, ele não vai te atacar.



E se você for grande mais seguro vai estar diante de um tubarão.

— Existe uma regra no mar, ao contrário da terra, que o grande sempre vai comer o pequeno. Então, eu tenho 1,84 metro, pé de pato de quase um metro. Eu tenho um tamanho mais ou menos igual ao da maioria dos tubarões. Ou até maior que a maioria dos tubarões. Então ele me respeita. Ele mantém a distância. Tubarão branco a gente usa gaiola por uma questão de proteção mesmo, também, nossa e dele, porque é um animal de seis metros, duas toneladas. Se ele resolver partir pra cima, é foda. Não tem o que fazer. Você é muito menor do que ele. Por isso, não recomendo criança mergulhar com tubarão.

— Aqui: animais domésticos que mais mordem em Nova York. Em uma única cidade americana, você tem 9 mil pessoas mordidas por cachorro, 1.500 pessoas mordidas por seres humanos, 800 por gato e 250 por rato. Mordida por ser humano: o cara vai na emergência sem orelha, sem nariz, sem dedo — observa.

— Na época do ‘Lula Sim – Lula Não’, duas mulheres brigaram, uma arrancou o dedo da outra. Declaração do marido: ‘Ela mordeu como se fosse um pit bull e tirou até o osso." Então, o ser humano é muito mais perigoso.


— Pra você ver, comparativamente, a cidade de Nova York comparando com o número de ataques nos Estados Unidos todo: 12.

— Isso é interessante. Tem empresas nos Estados Unidos que fazem estatísticas que as empresas de seguro usam. Aí tem ataque cardíaco um para 600, arma de fogo, afogamento, acidente com avião, ataque de cachorro um para 11 milhões, ganhar na Mega-Sena é de um para 50 milhões. Ataque de tubarão: um para 95 milhões. Ataque de tubarão: ser atacado, a estatística, é quase o dobro da Mega-Sena acumulada.

O VERDADEIRO PREDADOR


O maior predador do planeta, observa Szpilman, é o próprio homem.

— Pode passar. Falando do problema da pesca predatória e sobrepesca do tubarão. Você tem dois itens: Cápsula de Cartilagem, mas é uma grande bobagem. Dizem que a cápsula é antitumoral, mas não é verdade. Os caras derretem 250 mil tubarões por mês para transformar em cápsula de cartilagem. As pessoas tomam isso achando que está fazendo algum bem.


— Pode passar. Pesca de barbatana é outro item. Sopa de barbatana de tubarão é vista pelo oriental como símbolo de status. Quando havia uma elite consumindo barbatana, não era um problema. Mas o chinês colocou 300 milhões de chineses na classe média e média-alta e o sonho deles é ter sopa de barbatana para servir nas suas festas. É um mercado ilegal. E, como todo mercado ilegal, é altamente lucrativo. Os navios colocam o animal vivo a bordo, cortam as nadadeiras e jogam o animal vivo ao mar.


— Sobrepesca é a pesca feita de forma correta, mas além do limite que a espécie tem de se auto repor na natureza. Tubarão, a reposição dele é baixíssima. Ele chega ao tamanho de reprodução com dez a 15 anos. Taxa de mortalidade é alta.

— Se hoje a gente parasse: ninguém mais pesca tubarão, nós vamos levar, no mínimo, de 15 a 20 anos para repor uma parte desses tubarões.

A cartela (ao lado) mostra a situação crítica dos tubarões.

— Aí, você tem 100 milhões de tubarões mortos todos os anos, declínio acentuado de várias espécies. Quando você vai desmistificar tubarão, você tem de dizer às pessoas qual a importância do tubarão. Para salvar os tubarões ou pelo menos proteger os tubarões. Isso não acontece com tartaruga, baleia e golfinho. Quando você fala: “Vamos salvar as tartarugas”, todo mundo fala: ‘Claro, vamos salvar.”

A fecundação dos tubarões ocorre internamente. Dependendo da espécie, podem ser ovíparos, botam ovos, ovovivíparos, retêm os ovos no oviduto, ou vivíparos, o filhote se desenvolve no útero. Podem viver de 20 a 30 anos. Mas há espécies que podem passar dos 70 anos.

Szpilman destaca a importância dos tubarões no equilíbrio do ecossistema marinho.

Szpilman na Sala D'Armas: defesa dos tubarões
— O tubarão: para você preservar o tubarão, você tem de explicar qual a importância dele para a preservação do ecossistema marinho. Então, vamos lá: manutenção da saúde dos oceanos e controle populacional. Manutenção da saúde significa que ele come animais mortos, em decomposição, e animais moribundos. Ele é um dos grandes carniceiros dos oceanos. E se a gente acabar com os tubarões, vamos ter um problema de saúde no ecossistema.

— Controle populacional, como topo de cadeia, ele mantém equilibrada toda a cadeia abaixo dele. Você tira o topo, você desequilibra a cadeia. Existe um exemplo real, na Austrália. As pessoas acabaram com tubarões de uma baía e nessa baía os tubarões comiam polvos. Os polvos começaram a crescer sem controle. Eles comeram toda a lagosta daquela região. Existia uma indústria da lagosta que quebrou. Centenas de pessoas ficaram desempregadas. Então, um exemplo real do desequilíbrio que se provoca — assinala.

Na parte final da palestra, o biólogo apresenta fotos e vídeos de mergulhos com várias espécies de tubarão, como o cabeça-chata, o tigre e o famoso branco, que aparece no filme de Steven Spielberg.

Szpilman mergulha com o tigre na costa de Moçambique
— Pode passar. Aí, só mostrando que é possível mergulhar com tubarão, tubarão-tigre, cabeça-chata... pode passar, lombo-preto, tubarão-branco.

Todos acompanham a passagem de um enorme exemplar em frente a gaiola que protege Szpilman e seu grupo, no litoral da Ilha de Guadalupe, no Oceano Pacífico, próximo à costa da califórnia mexicana.

Ao terminar a apresentação, o biólogo marinho
Tubarão branco em Guadalupe (foto: Axel Blikstad)
pergunta se restou alguma dúvida. Um militar, na gozação, faz uma pergunta:

— Tubarão morde?

— Morde nada. É mentira.

E todos aplaudem o biólogo, hoje diretor-presidente do maior aquário marinho da América do Sul, o Aqua Rio, na Zona Portuária.





O Aquário do Rio: em três anos, 3,7 milhões de visitantes (foto: Élcio Braga)

Szpilman e o tubarão mangona do Aquário do Rio (foto: Severino Silva)

O biólogo no túnel do Aqua Rio: o ponto alto da visita (foto: Severino Silva)






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